A História

O Templo das Sombras é o lar de todos os Anjos, tanto bons quanto maus. Ele fica acima do Sol e da Lua, mas nunca acima das estrelas. Pois é observando as estrelas que Drew, um Anjo de Guerra, descobre que um mau antigo está; para ser libertado e que toda a existência corre perigo. Auxiliado por sua aprendiz e fiel seguidora: Ylua, uma Anjo de Cura em treinamento, eles parte para a terra à procura de Serenna: a mortal que, segundo uma antiga profecia, será responsável por devolver a paz à todos os reinos, Terrestres e Celestiais.


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Nome: Marcela.
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The End

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Capítulo 66

Para espanto de Cornellius, Drew conseguira ultrapassar Ylua. Ele simplesmente voara abaixo dela, junto ao chão. Tinha o dobro da velocidade de antes e o vento que suas asas projetavam obrigou o jovem Elfo a fechar os olhos.

“Será possível que exista um ser assim? Com certeza nada pode derrotá-lo!”, ele pensava, enquanto via o Anjo desaparecer depois de uma curva feita com maestria.

- Droga Drew! – Ylua resmungava. – Vá mais devagar, Galadriel não vai comer a tal chave... – Tentando alcançá-lo, ela começou a bater as asas com mais força, quase dobrando a velocidade; Cornellius agora mal conseguia respirar, mas estava disposto a suportar velocidades ainda maiores, se fosse necessário. Provavelmente, aquela seria a única vez que ele voava e, com toda a sua animação infantil do momento, ele nunca pediria que Ylua fosse mais devagar.

- Como senhor Drew sabe onde está indo? – Cornellius conseguiu perguntar depois de algum tempo.

- Agora ele conhece esse labirinto melhor do que qualquer Elfo daqui! – Ylua sorria. – Ele consegue absorver as memórias do lugar onde ele está, e aqui não há nada bloqueando, fica muito mais fácil! Eu consigo sentir algumas coisas, mas o Drew? Ele é incrível! Pode até ouvir o que a primeira pessoa que passou por aqui estava pensando! É um talento que só ele tem, eu pelo menos nunca vi ninguém com os sentidos tão apurados quanto os dele! – A jovem Anjo vibrava com o talento de seu mentor, tanto que quase fez Cornellius chocar-se contra a parede de pedra durante uma curva.

 Poucos minutos depois, eles pararam.

Drew agora tocava o chão, suas asas estavam baixas e ele fitava uma parede de ferro enorme e mal tratada. Havia marcas de unhas por toda a superfície e algumas manchas escuras de sangue, assim como em todo o labirinto. Tundra tinha um prazer monstruoso em ver sangue manchando as paredes.

- Chegamos? – Ele perguntou.

- Chegamos. – Cornellius tentava ficar de pé e recuperar o fôlego, mas o chão parecia água embaixo dele. – Eu tenho a chave.

 Ele tirou uma chave minúscula do bolso interno do colete pardo e abriu o grosseiro cadeado, mas precisou da ajuda de Drew para empurrar a porta.

 A luz do lado de fora era quase cegante, Drew não se lembrava da última vez que estivera em um lugar iluminado.

 Eles estavam no meio de um corredor deserto, sabe-se lá em que parte do Castelo. O Anjo fechou os olhos por um momento e, de repente, conseguia escutar tudo o que se passava naquele lugar.

 Procurava por Galadriel, mas distraiu-se com os passos apressados de Tundra e o tilintar do enfeite em sua testa. Ao lado dela estava Harmonny, trazida por dois Elfos que portavam arcos e flechas nas costas.

 Drew levou a mão à testa, tinha esquecido completamente de Harmonny! Acreditava que ela havia se recuperado e saído do corredor onde ele a deixara, mas ela estava fraca e, provavelmente, não conseguiria sequer ficar em pé.

 Tundra gritava e arranhava as paredes, parando para bater do rosto da pobre Anjo de vez em quando. Com certeza, agora que Tundra sabia que Drew estava livre, Serenna corria um perigo muito maior, Tundra com certeza a mataria!

 Ele tentou controlar o pânico que crescia em seu peito e passou a procurar por Galadriel desesperadamente, ao que parecia, ele estava no salão principal, sentado no chão e conversando com Vênus. Depois disso, nada mais interessava, Drew simplesmente ergueu as asas com violência e levantou vôo, assustando Ylua e quase derrubando Cornellius.

- Mas que droga Drew! – Ylua gritava enquanto segurava o Elfo e erguia vôo. – É sério, algum dia eu vou quebrar alguma coisa na cabeça dele, ele me irrita!

 Era difícil encontrar corredores desertos que levassem ao salão principal, Drew precisou esconder a própria existência duas ou três vezes e esperar que o caminho estivesse seguro para Ylua, mesmo assim ele não demorou a encontrar o salão que queria.

 Ele entrou sem fazer cerimônia, surpreendendo Vênus, Galadriel e dois Elfos de cabelos prateados que discutiam sobre pergaminhos espalhados numa mesa. Ele esperou que os Elfos anunciassem que eles estavam livres, ou que um dos Anjos assumisse a posição de batalha. Mas os Elfos sorriam ao ver Cornellius e logo foram ao seu encontro e Vênus, a Anjo que mais preocupava Drew, passou a fitar o chão, com medo de encará-lo nos olhos.

- Galadriel, me entregue a chave da cela de Serenna. – Havia um pequeno tom de súplica na voz de Drew.

- Senhor Drew, ansiávamos em vê-lo livre! – Galadriel sorria. – Não sabe o quão difícil foi prendê-lo, não sabe o inferno que somos obrigados a viver!

- ME ENTREGUE A CHAVE DA CELA DE SERENNA! – Galadriel, que se aproximava para recebê-lo, parou assustado. Drew não parecia irritado, estava desesperado, era a primeira vez que ele o via assim.

- Senhor Drew...

- Por favor... – Drew ajoelhou-se, para o espanto dos outros Anjos e dos Elfos que observavam de longe. – Eu imploro, Galadriel, eu tenho pouco tempo. Por favor, eu suplico a você, velho amigo, que me entregue a chave da cela de Serenna. Ela é a única que pode nos ajudar agora e se eu não me apressar, Tundra vai matá-la!

- Senhor Drew, acalme-se! Se a vida daquela mortal é tão importante assim, se ela é mesmo tão poderosa, nós iremos com você e a salvaremos! Mas por favor, levante-se! Não posso ver um amigo humilhar-se desse jeito. – Galadriel puxava o braço de Drew, obrigando-o a ficar de pé. Eles trocaram mais algumas poucas palavras e logo correram para fora do salão.

- Vênus, você vem? – Perguntou Galadriel, ao ver que a amiga não se mexia.

Vênus o olhou insegura, ainda estava envergonhada por ter sido obrigada a prender Drew, por estar servindo uma Ninfa demônio. Sentia-se suja, uma traidora. Ela parecia querer falar alguma coisa, mas desistiu e começou a correr, logo sendo alcançada por Ylua:

- Cornellius disse que ficaria com aqueles dois. – Ela explicava. – Disse que eram amigos e que fariam o possível para nos ajudar.

 Agora, Drew podia respirar tranqüilo. Estava entre amigos e Serenna ainda tinha alguns minutos em segurança, eles estavam correndo contra o tempo para salvá-la e ainda havia muitas coisas a serem resolvidas. Toda aquela aventura dirigia-se para o final, logo eles estariam frente a frente com Tundra.


Escrito por Marcela em 14 Mar 2009 00:35 | 0 Comments | [Link]


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